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A
educação física e o desenvolvimento infantil
Dalila
Quintão, Elisa Pinheiro, Felipe Passos, Larissa Santos, Márcia Xavier,
Márjorie Nunes
A aprendizagem e o desenvolvimento estão
inter-relacionados desde que a criança passa a ter contato com o mundo.
Na interação com o meio social e físico a criança passa a se
desenvolver de forma mais abrangente e eficiente. Isso significa que a
partir do envolvimento com seu meio social são desencadeados diversos
processos internos de desenvolvimento que permitirão um novo patamar de
desenvolvimento.
A
criança, por meio da observação, imitação e experimentação das
instruções recebidas de pessoas mais experientes, vivencia diversas
experiências físicas e culturais, construindo, dessa forma, um
conhecimento a respeito do mundo que a cerca.
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Luis Guilherme
Martins
Núcleo de Fotografia UCB Captura |
Para que esses conceitos sejam
desenvolvidos e incutidos no aprendiz, o meio ambiente tem que ser
desafiador, exigente, para poder sempre estimular o intelecto e a ação
motora desta pessoa. No entanto, não basta apenas oferecer estímulos
para que a criança se desenvolva normalmente, a eficácia da estimulação
depende também do contexto afetivo em que esse estímulo se insere, essa
ação está diretamente ligada ao relacionamento entre o estimulador e a
criança. Portanto, o papel da escola no âmbito educacional deve ser o de
sistematizar esses estímulos, envolvendo-os em um clima afetivo que serve
para transmitir valores, atitudes e conhecimentos que visam o
desenvolvimento integral do ser humano.
O
Papel da Educação Física no Desenvolvimento Humano
O principal instrumento da educação
física é o movimento, por ser o denominador comum de diversos campos
sensoriais. O desenvolvimento do ser humano se dá a partir da integração
entre a motricidade, a emoção e o pensamento.
No caso específico da educação
física, o profissional dessa área possui ferramentas valiosas para
provocar estímulos que levem a esse desenvolvimento de forma bastante
prazerosa: a brincadeira, o jogo e o esporte.
A partir da brincadeira e do
jogo, a criança utiliza a imaginação que “é um modo de funcionamento
psicológico especificamente humano, que não está presente nos animais
nem na criança muito pequena” (Rego, 1995, p.81).
A
partir da utilização da imaginação, a criança deixa de levar em conta
as características reais do objeto, se detendo no significado determinado
pela brincadeira.
“Mesmo
havendo uma significativa distância entre o comportamento na vida real e
o comportamento no brinquedo, a atuação no mundo imaginário e o
estabelecimento de regras a serem seguidas criam uma zona de
desenvolvimento proximal, na medida em que impulsionam conceitos e
processos em desenvolvimento" (Rego, 1995, p. 83)
Esse impulso dado aos
“conceitos e processos de desenvolvimento” deverá ser fornecido pela
educação física ao propiciar jogos e brincadeiras que,
intencionalmente, estimulem a imaginação e a criatividade. Além disso,
o processo de desenvolvimento dos indivíduos tem relação direta com o
seu ambiente sócio-cultural e eles não se desenvolveriam plenamente sem
o suporte de outros indivíduos da mesma espécie.
Dessa forma, percebe-se que a
escola, e neste caso específico a educação física, tem um papel
fundamental no aprendizado e conseqüentemente no desenvolvimento dos
indivíduos, desde que estabeleça situações desafiadoras para seus
alunos.
A interferência de outras
pessoas (professor e outros alunos) é fundamental para o desenvolvimento
do indivíduo. O papel do professor deve ser o de interventor intencional,
estimulando o aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades através
de propostas desafiadoras que o leve a buscar soluções, por intermédio
da sua própria vivência e das relações interpessoais. Isto não deve
significar uma educação autoritária, mas sim, uma educação que
possibilite ao aluno, por meio de estratégias estabelecidas pelo
professor, construir o seu próprio conhecimento, com a reestruturação e
reelaboração dos significados que são transmitidos ao indivíduo pelo
seu meio sócio-cultural.
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Luis Guilherme
Martins
Núcleo de Fotografia UCB Captura |
Qualquer processo de ensino para
ser eficiente deve levar em conta o nível de desenvolvimento real da
criança e o seu nível de desenvolvimento potencial adequado a sua faixa
etária, conhecimentos e habilidades que já possui.
O profissional de educação física
ao trabalhar na educação infantil deve conhecer os estágios do
desenvolvimento dessa fase, para proporcionar os estímulos adequados a
cada etapa. Agindo dessa forma, o desenvolvimento será mais harmônico no
campo motor, cognitivo e afetivo-social, trabalhando assim, o ser na sua
forma integral.
A evolução infantil obedece a
uma seqüência motora, cognitiva, e afetiva-social que ocorrerá de forma
mais lenta ou mais acelerada, de acordo com os estímulos recebidos. A
criança entre de 1 ano e meio e os dois anos de idade age sem refletir. O
ato precede o pensamento. A partir dessa fase, a criança já adquire duas
funções importantíssimas: o andar e a linguagem. O pensamento passa a
ser projetado no exterior pelos movimentos e pela linguagem. Isto permitirá
uma maior participação na sua relação com o meio.
A ação da criança sobre o meio estimulará sua atividade mental.
A partir daí, a criança começa a ter maior consciência sobre sua própria
pessoa, iniciando a formação da sua auto-imagem. Em seguida, a criança
vai iniciando a sua vida social ao formar pequenos grupos, porém ocorre
uma troca constante de amizades e de grupos (escola, clubes,etc.). Esse
intercâmbio social é essencial, pois leva a criança a se adaptar a
diferentes papéis, reconhecendo-se como pessoa.
Nesse sentido, cada fase de
desenvolvimento infantil tem suas próprias características, portanto,
exige estudos aprofundados sobre os métodos pedagógicos, as qualidades
dos estímulos fornecidos e a atuação intencional do profissional na
aula de educação física. O professor deve levar em conta a
peculiaridade de cada fase pela qual o aluno passa, as particularidades de
cada jogo, brincadeira ou esporte que possam auxiliar o educando no seu
desenvolvimento integral.
Pela
importância que a infância representa na formação da personalidade do
indivíduo, esses estudos devem estar respaldados por uma “práxis”
pedagógica que leve a uma organização didática, modificando a visão
de aulas de educação física de embasamentos estritamente empíricos,
para uma visão mais científica, evitando-se um choque entre teoria e prática
o que poderá refletir negativamente na formação de nossos
jovens. |