Uma publicação do Centro de Ciências de Educação e Humanidades - CCEH

Universidade Católica de Brasília - UCB

Volume I - Número 2 - Novembro 2004 - ISSN 1807-538X


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Editorial

Caro leitor,

Esta é a 2ª edição Revista Humanitates, órgão de divulgação do CCEH. Entre a 1ª e 2ª edições vários fatos relevantes ocorreram: a VI Semana Universitária da UCB, as eleições no Brasil, eleições nos Estados Unidos, etc. 

Talvez devêssemos ter reservado a manchete principal de capa desta edição para um desses fatos. Estivemos mesmo propensos a isso, mas preferimos um tema mais relacionado ao CCEH, mais presente em nosso cotidiano: a educação.

O destaque é a entrevista do professor e biólogo chileno Humberto Maturana. Ele é professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Chile. Na entrevista, Maturana ressalta, principalmente, o papel desempenhado pela emoção nas ações humanas, no desenvolvimento do sistema biótico e no fluir histórico. Focaliza ainda a importância da biologia do amor para o desenvolvimento humano.

O pensamento de Maturana é o fio condutor do artigo do professor Adriano J.H. Vieira, que juntamente com a profª. Mércia Helena Sacramento entrevistaram o mestre chileno. Vieira focaliza e aprofunda alguns aspectos do pensamento de Maturana com o  objetivo de “compreender sua inserção no cenário mais amplo da educação e, em particular, na contribuição que oferece à organização do conhecimento.”

Seguindo ainda a trilha de Maturana, as professoras Mércia Helena Sacramento e Sandra Mara Bessa Ferreira analisam a comunicação como processo inerente ao aprendizado do aluno. Para as autoras, a “linguagem utilizada em sala de aula, pode contribuir, se usada acertadamente, para o estabelecimento de vínculos afetivos positivos.” A aprendizagem está presente, também, no texto dos graduandos do Curso de Educação Física que comentam a importância da educação física no desenvolvimento infantil. Cabe ressaltar que somos receptivos aos trabalhos dos alunos e mantemos a publicação de pelo menos um trabalho do corpo discente, por edição. 

Dando seqüência ao debate sobre educação, a graduanda Rita de Cássia Espínola e o Prof. Élio Carlos Ribeiro, do Curso de Física da UCB, apresentam resultados da pesquisa sobre o “ensino da tecnologia e o status que lhe atribuem junto à ciência”. A pesquisa foi aplicada em duas escolas públicas, uma de Florianópolis e outra do Distrito Federal. Pesquisa também é apresentada no artigo da equipe de professores do Curso de Biologia, que descreve a experiência pedagógica e resultados de duas edições: Serra do Mar (Ubatuba-SP) e Chapada Diamantina (Lençóis-BA). Aponta, ainda, a importância da disciplina Métodos em Biologia de Campo como fomentadora da relação biólogo/natureza.

Em seguida, Andréia Ferreira, atriz do Grupo Andaime de Teatro – Unimep de Piracicaba-SP, relata a trajetória do Grupo, suas investigações sobre a arte teatral, a relação arte-educação, a aproximação do Grupo com a escola em busca de um fazer teatral que envolva toda a comunidade escolar.

A edição acolhe o oportuno ensaio do Prof. Maximino Basso, que problematiza a relação entre ciências naturais e ciências humanas, tomando como referência o pensamento de Boaventura de Sousa Santos. O artigo O sofrimento na sociedade espetacular, da Profª. Lêda Gonçalves de Freitas, fecha o bloco. O  texto de Lêda dialoga com os artigos anteriores na medida em que é uma reflexão sobre a sociedade tecnológica contemporânea. Ao enfocar a sociedade espetacular, a autora aprofunda a discussão sobre a nossa atuação como profissionais da educação nesse contexto.

A seção Tradução abre-se com o artigo da profª. Aline Larroyed, que coloca-nos a questão que a origem da poesia está no silêncio. Segundo a Profª. Isabel Cristina Corgosinho, "se o poema já é a tradução do silêncio às palavras, como traduzi-lo para outras línguas? O empenho do tradutor será de traduzir o intraduzível, posto que a poesia já é a expressão do inexprimível. A tradução investe-se, então, de um poder de recriação. Nessa perspectiva que é realizada a tradução que Aline nos apresenta de Ossip Mandelstam”.

A poesia também é matéria do ensaio da profª Susana Souto Silva, que partindo da definição de Paul Valéry que “a poesia é o máximo de tensão entre o som e o sentido” convida o “nosso corpo a participar, a confundir-se com o corpo do poema.” “O corpo da palavra no poema oferece-nos a possibilidade da música e da dança.”. A resenha do  prof. Virgílio Pereira de Almeida sobre o livro Traduzir Poesia, de Anderson Braga Horta, amplia a discussão sobre a tradução e completa esta edição.

Por último e não menos importante, queremos expressar a nossa satisfação de publicar, nesta edição, matérias de sete cursos do CCEH e de dois colaboradores externos. Anunciamos ainda a indexação (registro ISSN) da Humanitates. De acordo com a regulamentação em vigor, as publicações on line terão o mesmo status de uma publicação impressa.

Leia e escreva-nos.

Marcos Sílvio Pinheiro

Editor

 


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Última modificação: 05 dezembro, 2005